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  2. 36 horas em Salvador
06/02

Em janeiro deste ano, Salvador foi destaque duas vezes no The New York Times: a primeira como a única cidade brasileira indicada como “lugar para se conhecer em 2019” e a segunda com uma matéria sobre o que fazer em 36 horas na capital baiana. Confira a tradução:

Mais do que em qualquer outro lugar deste país multiétnico, Salvador está mergulhada na cultura afro-brasileira - do culto das divindades iorubás (orixás), à prática acrobática da capoeira, a uma culinária tingida com óleo de dendê laranja e picante com uma dose mais forte de pimentas quentes do que o resto das línguas delicadas do país podem suportar. A história da cidade é rica em literatura - foi a casa de Jorge Amado, entre outros - e entrelaçada com o colonialismo e o tráfico de escravos (Salvador foi a primeira capital do Brasil, de 1549 a 1763). Hoje, sua energia juvenil e tradições musicais profundas criam uma vida noturna vibrante, muitas vezes ao ar livre, mesmo quando não é o Carnaval (este ano, de 28 de fevereiro a 5 de março). E quando é - bem, vamos apenas dizer que a versão do Rio parece a hora do chá no Palácio de Buckingham em comparação. Infelizmente, as taxas de criminalidade significam que nem todos os trechos da cidade podem ser explorados à vontade, mas os serviços de transporte coletivo e baratos fazem com que seja fácil se locomover com segurança.

Sexta-feira

15h - História em alta

Empoleirado no alto da Baía de Todos os Santos na Cidade Alta, o bairro do Pelourinho fica no coração do centro histórico, um emaranhado de ruas de paralelepípedos e prédios coloniais brilhantemente pintados com sacadas de ferro forjado que é tão “instagramável” quanto animado. Grupos de tambor batem nas ruas; quando ficarem muito altos, fujam para bolsões de cultura, como o Museu Afro-Brasileiro (entrada 6 reais, ou cerca de US$ 1,60). Não perca os 27 painéis de madeira esculpida de orixás - divindades do Candomblé, a prática religiosa sincrética que permeia a vida aqui - por Carybé, um argentino que virou soteropolitano (como são conhecidos os habitantes locais). A dourada Igreja e Convento de São Francisco do século XVIII (5 reais) deixará você de boca aberta; não se preocupe em fechá-la ao sair, pois do outro lado da rua você vai querer experimentar uma colher de sorvete de caraíba (acerola, gengibre e limão) no Le Glacier Laporte. O Pelourinho é turístico? Sim. Você deve ter cuidado com os batedores de carteira? Sim. Você pode visitar Salvador sem vagar pelas ruas? Não é uma chance.

18h - Café e capoeira

Suba a Ladeira do Carmo, passando pela Igreja do Carmo até o próximo bairro, Santo Antônio Além do Carmo. Essa área de nomes não muito criativos, mas charmosa e cada vez mais badalada, possui ateliers, cafés e bares com música ao vivo ao longo de sua rua principal - e essencialmente única - Rua Direita de Santo Antônio (sem piada). A maioria dos empreendimentos no lado oeste tem uma vista deslumbrante da baía, por isso dê uma olhada em um café e tome uma cerveja ao pôr do sol - a menos que você esteja hospedado em uma pousada nesse trecho, caso em que você pode assistir da sua própria varanda. Apenas certifique-se de ir ao Forte da Capoeira por volta das 19h para uma demonstração de capoeira, uma fascinante tradição de artes marciais com origem em rituais africanos trazidos ao Brasil durante a escravidão.

20h30 - Lambretas e paralelepípedos

Mouraria é um bairro tranquilo e de ruas de paralelepípedos com restaurantes e bares que não foram gloriosamente enfeitados para os visitantes. É também o lugar onde os moradores vêm para lambretas, um molusco local tão saboroso e suculento que, quando o garçom da Mistura Perfeita traz um pouco de cebola e coentro (19,90 reais), é acompanhado por um copo de caldo restante. O prato vai servir dois se você começar com pastéis de carne de caranguejo, a versão brasileira de uma empanada. Experimente uma caipirinha, o tradicional coquetel brasileiro feito com limão, açúcar e cachaça (um licor feito de cana-de-açúcar). Você pode pedir aqui com umbu, uma fruta verde de sabor cítrico, às vezes chamada de ameixa do Brasil. Se você se importar com a sobremesa, ambulantes tolerados pelo restaurante, cuidarão de suas necessidades por cerca de 5 reais.

22h30 - Samba do Centro

O Bar do Espanha era um tradicional bar de esquina administrado por uma família espanhola no bairro dos Barris, no centro de Salvador, a partir de 1920. Mas em 2017, quando seu proprietário de 90 anos planejava fechá-lo, dois jovens clientes concordaram em comprar o local. Arthur Daltro e Uiara Araújo mudaram seu nome ligeiramente para Velho Espanha, preservando os tetos de madeira, restaurando o piso de cerâmica e mantendo um menu simples e acessível de cerveja e petiscos de bar. Os fins de semana trazem música ao vivo para o interior apertado, onde você pode encontrar grupos tocando samba ou um gênero local (e auto-explicativo) chamado samba reggae. Não há covers, pois os donos preferem bandas que compõem sua própria música.

Sábado

5) 12h – Hora de comer

Sair de Salvador sem experimentar a moqueca seria tão absurdo quanto uma viagem sem pizza a Nápoles. O guisado de frutos do mar local é cozido com leite de coco e tem a cor laranja do óleo de dendê (às vezes chamado de óleo de palma vermelho). A versão servida no restaurante sem frescuras Donana é altamente considerada: ficou em primeiro lugar na cidade pelo Prêmio Comer e Beber, e número 2 na cidade por um dos garçons, como em “apenas minha mãe faz isso melhor”. A versão de camarão é densa com a pesca do dia e vem com arroz, pirão e farofa com tintura de dendê por 108,90 reais (para dois).

 

6) 14h - Autor! Autor!

Jorge Amado é o filho literário favorito de Salvador, seus romances muitas vezes sendo referidos como retratos da cidade de Salvador do século 20 e do estado da Bahia. A casa que ele dividia com sua segunda esposa, Zélia Gattai - também escritora de renome - até sua morte em 2001, é agora um museu. A Casa do Rio Vermelho (20 reais), batizada com o nome do seu bairro litorâneo, abriga a sua peculiar coleção de arte, além de sua biblioteca, cartas para outros autores famosos e uma exibição multimídia de famosos brasileiros lendo passagens de seu trabalho. ("Dona Flor e seus dois maridos" seria uma boa escolha para se preparar para a sua viagem, seja em forma impressa ou em filme indicado ao Globo de Ouro.)

7) 19h - Jantar em família

O restaurante da família Guerra e o bar próximo transformaram uma pequena praça no bairro de Garcia em um destino para comer e beber. Primeiro veio Larriquerrí, servindo o que seu filho Gabriel chama de “culinária da memória afetiva”: receitas de família que ele e seu irmão, Guilherme, cresceram comendo da cozinha de sua mãe (Rosa). Trouxinhas de carpaccio, feixes de carne fatiada recheada com creme de ricota e coberto com pesto e parmesão, explodem em sua boca com modesta decadência. O macarrão mezzaluna recheado de queijo com molho de gorgonzola e queijo brasileiro é gloriosamente nada sutil. Assim é a atmosfera, um pouco caótica como Romildo, o pai, que percorre o espaço tentando encantar todos os hóspedes (com sucesso). O jantar para dois com vinho é de cerca de 250 reais. O vizinho Larribar é um dos poucos locais da cidade que leva os coquetéis a sério. Veja como seu barman solta fumaça de um pau de canela em chamas no copo que em breve será enchido com seu Ventura (25 reais), essencialmente uma cachaça defumada amarga.

8) 22h – Sarau no Rio Vermelho

O Rio Vermelho, no lado oceânico da cidade, é um dos centros de diversão noturna de Salvador. Você pode começar no Chupito, onde a especialidade é, previsivelmente, shots. Não shots de tequila; eles parecem mais como mini coquetéis, com escolhas aparentemente infinitas postadas na parede e um DJ comandando uma pequena pista de dança. A um curto passeio à beira-mar, o Teatro Sesi tem música brasileira ao vivo na varanda (de 20 a 30 reais) ou você pode sentar ao ar livre com uma cerveja na festiva Praça da Dinha, batizada com o nome da ex-dona de um stand de acarajés, bolinhos de feijão com ou sem camarão (outro clássico de Salvador).

Domingo

9) 9h - Valor de mercado

Ao contrário do turístico Mercado Modelo da Cidade Baixa, a Feira de São Joaquim, à beira-mar, é um mercado enorme, meio reformado, onde, além de inúmeras frutas e carnes, você também encontrará ervas medicinais, óleo de dendê, cachaças infundidas e até mesmo cordas de tabaco grosso. O destaque é a grande variedade de itens religiosos, como as coroas e espadas artesanais e muito mais em uma loja chamada Ilê Alacorô. (Tome café da manhã antes de você vir, a não ser que você se atreva a experimentar um saudável mocotó - cozido de pata de vaca - em um dos restaurantes da orla.)

10) 12h – T-shirt formal

À meia hora da costa, no lado do oceano, fica o bairro artístico de Itapuã, mais conhecido como o antigo lar de Vinícius de Moraes, o famoso poeta e letrista da bossa nova. Você pode posar sentado ao lado de uma estátua amistosa e barriguda dele em uma pequena praça em frente à sua antiga casa (ou seja o único visitante da história que não posa com ele; sua escolha). O melhor marisco da cidade é no restaurante vizinho Mistura, onde garçons elegantes servem a um público de luxo, geralmente vestido de forma um pouco incongruente com t-shirts de domingo e chinelos. O preço fixo é um incrível banquete para uma pechincha de 129,90 reais. Aproveite o bufê de aperitivos (tartare de robalo, ostras gratinadas), depois observe como uma fileira de aperitivos de marisco é seguida por um prato principal (risoto de polvo, talvez?) e sobremesa. Você está a 15 minutos de carro da atraente Praia do Flamengo, se quiser descansar o dia inteiro em uma barraca à beira-mar como o Lôro - Stella Maris.

Link da matéria original:

https://www.nytimes.com/2019/01/24/travel/what-to-do-in-salvador-brazil.html

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